• 10 de Junho de 2026
Debate sobre a escala 6×1 exige preparação antecipada das empresas
Especialistas em gestão e direito trabalhista orientam que empresários iniciem
desde já uma análise interna das operações
Com o avanço das discussões no Congresso Nacional sobre eventuais mudanças na
jornada 6x1 no Brasil, especialistas orientam que empresas dos setores de comércio,
indústria e serviços iniciem desde já análises operacionais, financeiras e trabalhistas,
com o objetivo de reduzir impactos e ampliar a capacidade de adaptação diante de
possíveis alterações na legislação.
A discussão foi tema de uma palestra promovida no início deste mês pela JM
Consultoria, em Americana (SP), que reuniu empresários da região para falar sobre
caminhos de adaptação ligados à gestão de pessoas, produtividade e sustentabilidade
operacional. O encontro contou com a participação do advogado trabalhista Pedro
Bottesini, da TBSR Advogados.
Diagnóstico e revisão operacional
Segundo Jarbas Martins, especialista em gestão de negócios e fundador da JM, o
empresariado não deve esperar a mudança acontecer para avaliar possíveis
adequações. “Mesmo sem uma definição sobre o formato da mudança, a tendência é
que as empresas precisem de qualquer forma discutir cada vez mais temas
relacionados à jornada de trabalho e à organização das equipes. Por isso, esse é um
momento importante para começar a analisar cenários, entender possíveis impactos
financeiros e avaliar adequações operacionais com antecedência”, orienta.
Para iniciar esse processo de adaptação, Jarbas destaca a importância de um
diagnóstico interno das operações. “Um caminho importante é mapear quais cargos
hoje operam em escala 6x1 e entender quais outras jornadas podem ser impactadas
indiretamente. A partir disso, a empresa consegue avaliar possíveis reestruturações,
alternativas de escala e os reflexos disso na folha de pagamento e nos custos da
operação e, para além disso, buscar transformar essa realidade em uma oportunidade
de evolução”.
Segundo Jarbas, essa análise também precisa envolver diferentes áreas da empresa
para que as decisões não sejam tomadas de forma isolada. “Além do financeiro, pode
fazer sentido analisar turnos de operação, horários de pico, produtividade por hora e
até modelos alternativos previstos na legislação trabalhista. Quanto mais integrada for
essa análise entre áreas como comercial, processos e gestão de pessoas, maior tende
a ser a capacidade de adaptação”.
Para o advogado especialista, esse debate também pode gerar reflexos mais amplos
para o mercado e para o posicionamento das empresas. “Se houver uma tendência de
redução de jornada, temas como automação de tarefas e digitalização de processos
provavelmente ganharão ainda mais relevância. Além disso, mudanças na rotina das
pessoas podem influenciar hábitos de consumo e abrir espaço para novas demandas,
produtos e serviços. Para muitas empresas, esse movimento pode exigir adaptações
na oferta, revisão de prioridades e decisões mais estratégicas para ganhar eficiência e
competitividade no médio prazo”, avalia.
Alternativas para adaptação operacional e jurídica
No campo trabalhista, o advogado Pedro Bottesini destaca que o possível fim da escala
6x1 também deve ampliar a discussão sobre formatos de contratação e reorganização
das jornadas dentro das empresas. “Algumas operações podem absorver parte dos
impactos com contratos de tempo parcial, trabalho intermitente, terceirização ou
formatos específicos para determinadas funções administrativas e operacionais. Mas
isso exige análise individualizada, porque cada modalidade possui limitações legais,
impactos financeiros e riscos próprios”.
Segundo Bottesini, outro ponto de atenção está na revisão das escalas atualmente
adotadas pelas empresas. “Dependendo da atividade, pode ser necessário redesenhar
jornadas para equilibrar produtividade, operação e custo. Em alguns casos, modelos
como 5x2, 12x36 ou escalas híbridas podem passar a fazer mais sentido, sempre
considerando a realidade de cada setor e os limites previstos nas convenções
coletivas”, afirma.
O especialista também alerta para os reflexos jurídicos e operacionais que podem surgir
caso as empresas deixem o planejamento para a última hora. “A discussão não envolve
apenas reduzir um dia de trabalho. Existe impacto sobre folha de pagamento, encargos,
cobertura de turnos, negociação sindical e manutenção da produtividade. O empresário
que se antecipa hoje, com certeza sairá na frente amanhã”, conclui.